CÂMARA DOS DEPUTADOS CELEBRA BICENTENÁRIO DA CHEGADA DA IMPERATRIZ LEOPOLDINA AO BRASIL PDF Imprimir E-mail
Sex, 10 de Novembro de 2017 16:04

 

 

Dona Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena, que por casamento adotou o sobrenome Bragança, e por escolha própria o prenome Maria (passando a se assinar “Maria Leopoldina”), foi, junto com José Bonifácio, a grande incentivadora de D. Pedro I para a Independência do Brasil.


De há muito vinha aconselhando o marido a assumir a liderança do processo emancipacionista, recusando-se a atender o ultimatum das Cortes que exigiam seu regresso a Portugal. Em carta a seu secretário Jorge Antonio Schiaffer, no final de 1821, escrevia:


Dizem aqui que tropas portuguesas o obrigarão a partir – tudo então estaria perdido e tornou-se absolutamente necessário impedi-lo” (1)


Em agosto de 1822, em carta a seu pai, o imperador Francisco da Áustria, dizia, pedindo apoio à futura independência:... “seria a maior ingratidão e erro político gravíssimo se nosso empenho não fosse manter e fomentar a sensata liberdade e consciência de força e grandeza deste lindo e próspero reino, que nunca poderá ser subjugado pela Europa (…) eu, por mim, estou convicta, querido pai, como deseja tudo que é nobre e bom, de que o senhor nos apoiará na medida do possível e com toda a força e poder possível” (2)


Em setembro daquele ano, quando no exercício da regência, enviou ao Príncipe D. Pedro, em viagem por São Paulo, correspondência recebida de Lisboa reiterando a exigência de embarque, junto com carta sua, que o exortava a desobedecer e proclamar a independência. Dizia então ao marido: “O Brasil vos quer para seu monarca. Com o vosso apoio ou sem o vosso apoio ele fará a sua separação. O pomo está maduro, colheio-o já, senão apodrece” (3)


À vista desta carta, D. Pedro superou as hesitações e proclamou a independência com o célebre “Grito do Ipiranga”. Independência que se consolidaria após a derrota das tropas portuguesas aquarteladas na Bahia, e mediante o reconhecimento internacional. Para este último foi fundamental a intervenção de Dona Leopoldina junto ao seu pai, Imperador da Áustria.


A importância política pouco conhecida, em nosso país, de Dona Leopoldina, vem de ser resgatadapela Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados, que, por iniciativa da Deputada Soraya Santos apresentou projeto (cuja tramitação em “regime de urgência” já foi aprovada) inscrevendo o nome da Imperatriz no “Livro dos Heróis da Pátria”, exposto no “Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves”, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.


Outra iniciativa foi a sessão solene comemorativa do bi-centenário, realizada dia 7, sob a direção do Presidente da Câmara, Deputado Rodrigo Maia, com a participação do “Instituto Cultural Dona Isabel I – A Redentora”, representado por seu presidente o advogado Dr. Bruno de Cerqueira, . Presente trambém a  “TICAN- The International Comission and Association on  Nobility”, representada por seu Diretor Regional para o Brasil, Comendador João Pedro de Saboia Bandeira de Mello Filho (Conde de Saboia Bandeira de Mello, pela Casa Real de Ruanda, e Comendador das Ordens Dinásticas  da Itália e Etiópia ).


A Família Imperial brasileira se fez representar por Sua Alteza Imperial e Real Dom Gabriel, Príncipe de Orleans e Bragança, pentaneto de Dona Maria Leopoldina, e sobrinho do Chefe da Casa Imperial, Dom Luíz, que fez uso da palavra.


O Príncipe de Orleans e Bragança e o Conde de  Saboia Bandeira de Mello confraternizam

 


Presentes ao ato discursaram os Senhores Embaixadores da Áustria e de Portugal, além de vários Senhores Deputados, todos se dirigindo a Dom Gabriel mencionando seu título principesco e o tratamento correspondente.


Presentes, também, os estudantes vencedores dos concursos de vídeo e desenhos alusivos à Imperatriz, cuja realização antecedeu ao evento.


A cerimônia teve início com o Hino Nacional, e foi encerrada com o Hino da Independência (cuja música foi composta por D. Pedro I) . A execução se deu pela banda de música do histórico Regimento Dragões da Independência, do Exército Brasileiro, cedida por seu comandante-geral, General Vilas-Boas Correia.

 


NOTAS:

1) Mendes, José Theodoro Mascarenhas “D. Leopoldina, imperatriz w Maria do Brasil;

 

2) idem.