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Ter, 03 de Outubro de 2017 18:12

É possível ser de esquerda e monarquista? As próprias noções de esquerda, como de direita, são compatíveis com o movimento monarquista? Na teoria provavelmente não. Não está claro, com efeito, como e porque uma corrente de pensamento que visa justamente ultrapassar essas noções partidárias iria se prender a um qualificativo que, longe de ser unitário, é fator de divisões e de lutas políticas e sociais.


E, no entanto esses qualificativos partidários existem de fato. É mesmo essencialmente através deles que nossos contemporâneos - e cerca de 60% dos monarquistas [franceses] - se determinam politicamente. Além disso, nós não somos numerosos para confundir a Monarquia tal qual gostaríamos que ela fosse com a ação política tal como é, aqui e agora?


Não somos a Monarquia; somos, melhor, os atores de uma intervenção pública que se chama monarquismo. Não confundamos a obra com a ferramenta. É por esta razão que não nos parece incongruente pôr a questão, especialmente porque ela encontra ou encontrou exemplos em numerosos países e em movimentos inesperados, começando pelo Legitimismo da metade do século XIX.


Que a Monarquia seja o poder de um só, mesmo e sobretudo em seus Conselhos, é um ponto pacífico. Mas o monarquismo, ele, é plural. E é bom que seja assim, depois que se reflete. Nem na França nem em outro lugar se pode ter o direito de deter sozinho a verdade no domínio da ação monarquista.


Temos escrito frequentemente, dito e repetido, nossa comunidade SYLM [sigla em inglês para Support Your Local Monarch] é aberta e considera que a diversidade doutrinária, a adição de diferentes sensibilidades é uma riqueza para o monarquismo. A unidade ideológica através de um catecismo bem circunscrito, tal qual é às vezes exigido por certos abadezinhos da causa, seria intelectualmente pauperizante e paralisante sobre o plano da ação.


É o que nós quisemos mostrar através deste número de La Toile [revista monarquista francesa trimestral]. A ideia monarquista pertence a todos; cada qual é portanto livre para identificar-se com os adjetivos partidários que lhe convier. Afinal, os Evangelhos não nos dizem: "Existem muitas moradas na casa do meu Pai"? Por que o que é válido para o Reino celeste não seria para a Monarquia terrestre...?


 

Sylvain Roussillon, Secretário Geral da Conferência Monarquista Internacional. Traduzido e transcrito de “ La Toile” 9 - Nova Série - Inverno de 2010/2011.